A Criança Amada ou Eu Brinco de Ser Uma Mulher Casada
Após seu primeiro curta-metragem arrebatador, "Exploda Minha Cidade", que causou um impacto duradouro, Akerman filmou seu segundo filme no verão de 1971 em uma casa perto de Toulon. O filme apresenta uma jovem mãe, interpretada pela atriz belga Claire Wauthion — que mais tarde apareceria em "Eu, Tu, Ele, Ela" em 1974 — sua filha Daphna, interpretada pela sobrinha da cineasta, e uma amiga, interpretada pela própria Akerman. A jovem mãe confidencia à amiga sobre seu cotidiano, sua família e seus relacionamentos.
Akerman mais tarde renegaria o filme, que sempre considerou um fracasso: "É um filme que nunca me satisfez. Apliquei ideias muito abstratas sobre rejeitar a montagem como uma manipulação do espectador, sem levar em conta que optar pelo plano-sequência é muito bonito, mas é preciso preparar e cronometrar esse tipo de tomada meticulosamente." "Deixei acontecer, mas não resultou em nada." Chantal Akerman no livro Hommage à Chantal Akerman, escrito por Jacqueline Aubenas e publicado por Communauté française de Belgique (Wallonie-Bruxelles, 1995).
Contudo, já se podem observar temas essenciais da sua obra: a captura meticulosa de gestos do cotidiano, a tensão entre a vida doméstica e a pessoal, a importância da oralidade e a representação do feminino e da figura materna.
Em 2007, após cerca de dez anos criando videoinstalações utilizando as suas filmagens, Akerman reutilizou a longa sequência de "A Criança Amada", na qual a jovem, seminua em frente ao espelho do seu guarda-roupa, examina o seu corpo e descreve-se em detalhe, para criar a instalação "No Espelho". Uma imagem e uma obra que ressoam com a idealização do corpo e da estética.
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